sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Fresta

Vivo numa fresta....
E é enorme aqui...
Não há muito conforto, mas há um esboço de igualdade e compreensão!
Pelo menos alguns e eu temos uma mania estranha de não esperar.
Recebemos o que nos é oferecido e, é sempre bom, é sempre uma possibilidade.
O trabalho é árduo, não devido às horas ou à retribuição, mas...
Porque se faz o que se acredita, e é duro acreditar!
O céu é sempre perfeito, mesmo quando denso e choroso, pois de alegria também se chora!
É tudo vivo, porque todo sangue passa numa só veia, a nossa, pulsa o outro em mim...
Em mim, há muitos outros...
Por isso, existe dor, cada outro é um e nenhum outro será o um!
Não há espelhos, a necessidade é ver o outro...
Belo...Percepção de elementos que agradam de forma singular aquele que a experimenta!
E tudo se experimenta...
Mas aqui não há julgamento... Avaliações consideradas de provas para a formação de uma decisão embasada!
Claro, cada um é outro, como provar o um?
O nome???
AH, da fresta, claro...
Eu chamo de realidade!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Leve eu

Leve, eu posso voar...
Leve, eu posso subir...
Leve, eu posso planar...
Leve posso ser brisa...
semente...
ser mente.

Leve, eu posso passar...
Leve, eu posso ocupar...
Leve, eu posso ser ar..
Leve posso ser respirada...
aspirada...
pirada.

Leve (eu)!!!
Sou, leve...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Já é nela

Saiu, não aguentava mais ver a imensidão apenas pela janela, parecia que o peso das nuvens a sufocaria a qualquer momento, parou olhou fundo o horizonte e decididamente voou.

Voou até o final, lá onde o céu beija a terra, impetuosa tinha gana de saber definitivamente de onde vinham as nuvens, do que eram feitas e que gosto tinham, humm, o gosto.

Cansada de muito voar adormeceu, nem sabia ao certo onde estava, pois as luzes misturadas aos escuro da noite e a imensidão do pano azul pontilhado de estrelas a tonteava.

Sentiu seu corpo leve baixando baixando e só pode contemplar rapidamente antes de cerrar seus olhos pesados o poer dos brilhantes preferidos.

Quando o calor da estrela mor a atingiu, sentiu suave a grama macia e farta, o orvalho frio e um cheiro doce de biscoito de leite e mata verde de beira de cachoeira, ficou tão absorvida que se perdeu em longos minutos naquele inebriante momento.

Nem sequer se deu conta de onde estava...

Só depois de longos suspiros e alguns passos notou, pra além das árvores, que as nuvens eram realmente muito baixas e que se pulasse ela as alcançaria.

Não exitou, agarrou um punhado, e a sensação era como se sua mão tivesse mergulhado num emaranhado de veludo vermelho, suave e quente, prazer, puro prazer.

Ao levar aquele conjunto de partículas de água muito finas, mantidas em suspensão pelos movimentos verticais do ar, percebeu que em nada esse conceito descreveria seu sentimento: cheiro suave, maciez, calor de colo sabe?!

Quase como se esfregasse o veludo em seu rosto, mas com leve odor de chocolate, seus olhos não conseguiam se manter abertos, tamanho deleite a consumia.

Mas as nuvens se vão rápido, como as coisas boas e rapidamente seus olhos se voltaram para o entorno: quatro grandes chaminés muito altas de base larga e topo suavemente fino, delas saiam pequenas formas algodoadas que facilmente transformavam-se nas cirrus,cirrocumulos,cirrostratus... e todas as formas que a guiavam em suas janelas em movimento.

Percebeu que a água, apesar de importante não é a essência de uma nuvem, elas são exatamente como IMAGINADO: fofas, leves, doces e protegem as estrelas para que possam dormir durante o dia...shiu!!!!!

Como elas nascem no horizonte, ou onde o céu toca o chão, elas guardam e ordenam todas as cores e luzes do dia e da noite, por isso, ela sentia que via, pela primeira vez, claramente o mundo em todas suas cores, cheiros e gostos e sabe?!

Nada era duro, difícil ou ruim, porque era real, era simplesmente a vida, real, onde nenhum conceito basta, onde nada nunca está pronto e onde os títulos de nada servem se não lhe fizerem SENTIR.

Ela sempre se perguntou o que havia por trás daquela última nuvem do horizonte, desde as primeiras indagações infantis livres dos conhecimentos racionais e científicos essa dúvida povoava a sua mente aberta a imaginação.

Mesmo depois dos conhecimentos "corretos" e prontos" ao admirar a linha onde o céu beija suavemente a terra é a imaginação que trabalha, parece que quanto mais conhecimentos, mais gostosas e verdadeiras as explicações imaginativas se tornam.

É a caixa onde se guarda o cheiro de casa de vó e da cachoeira do cerrado, o gosto de comida mineira e doce caseiro, o gosto e cheiro de abraço de amigo, lembrando que gente tem luz também.

Ali onde a perspctiva acaba é onde se guarda os novos sentimentos, aqueles de gostos novos que se precisa provar mais pra saber o real paladar, a real doçura e tons picantes do compartilhar, é onde fica o sabor da vida.

E a janela? Ah! Essa fica bem lá atrás....

sábado, 27 de novembro de 2010

Acontece

Acontece que sou desconfiada...
Acontece que por mais sincera não me empolga demonstrar....
Acontece que as atitudes me parecem programadas e
Acontece que eu detesto todas as regras e as crio todo o tempo....

Acontece que sou intensa...
Acontece que nego...
Acontece que me perco, por mais regrada que esteja e
Acontece que perdida é que me encontro...

Acontece que não gosto de perder o tempo...
Acontece que cada dia é um dia a menos...
Acontece que cada dia é uma vontade a mais...
Acontece que vontade e tempo é vida...

Acontece que sei quem sou...
Acontece que sei que quero...
Acontece que sou o que quero...
Acontece que o ver não é real...
Acontece que a maioria vê o que quer...

Acontece que não sou a maioria...
Acontece que nem quero...
Acontece a solidão...
Acontece que a maioria é só solidão e
Acontece que sozinha é sem solidão...

Acontece que quero me mostrar
Acontece que não querem ver...
Acontece que a gente vê mesmo que não haja a mostra e
Acontece que o que se mostra é o que nem quer se ver...

Acontece que acontece e
Acontece que não posso prever nada mesmo
Que vá acontecer....

domingo, 7 de novembro de 2010

Saudade



Abre os braços sobre a rocha ...enlaçada pela brisa da estação chuvosa..o vento acaricia a nuca, abraça a cintura e tempera a boca...

As estrelas desceram pra respirar as flores e de braços abertos sente da outra ponta a força que projeta o corpo ao sonhos e às ideias que voam perdidas...livres...perdidamente livres em novos horizontes.

O cheiro penetra sem muita força por parte dela e a domina por completo, todo o lugar em seus pulmões e o vento a levando... teme abrir os olhos e perder o cerrado, perder o cheiro, perder o brilho...

O eu tomado pelas preces, divagações e cheiro, todo o cheiro do cerrrado...

Respira profundamente a fim de guardar na memória mais escondida, mas ele se solta, o vácuo toma conta do entorno e pesa sobre o seu corpo, a testa franze e os olhos se abrem em frente a árvore que brilha...

sábado, 30 de outubro de 2010

Delete

Conceitos nunca estão prontos e acabados, mas hoje dois conceitos com suas interpretações atuais me intrigam e despertam o espanto criativo.

MEDO:reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e termina com a liberação de compostos químicos que causam aumento da freqüência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos.

MEMÓRIA:prática social correlata a outras que traz a necessidade de se perceber que sujeito a está construindo a partir de que lugar social e com finalidade.

Por um instante tente mesclar os dois... Por mais quimicamente biológico que seja, o medo muda de sujeito para sujeito, de acordo com sua própria experiência de vida, papel social, classe, formação e tudo que abarca o viver dos sujeitos históricos.

Fato: de alguma forma o mundo nos assusta. E a ciência encontra mecanismos para apagar os medos ou dissociá-los dos sintomas de ansiedade causados por ele com drogas específicas que agem em regiões cerebrais especializadas.

Mal a discussão aparece e já não se discute os problemas em apagar uma parte da memória e sim como e quando se deve fazer.

Caminhamos realmente pra uma sociedade que se aliena e procura apenas prazer e o "bom", o que traz uma relatividade significativa, uma vez se que a memória é seletiva de acordo com a experiência presente dos sujeitos, o esquecimento também o é.

Se a disputa por hegemonia entre as classes padroniza a memória de cidade, de nação, de necessidade, imaginem o que não se padronizaria apagar...

Mentes em branco... Apenas sensações boas, prazerosas, positivamente estimulantes? Pra quem?

O que é bom, prazeroso, estimulante? Como o medo, o trauma, formaram o indivíduo? O que retiro dele, "deletando" algo que o forma há 5, 10 anos?

Por mais anormal que pareça, a mente não está desligada do ser que compõe a sociedade, não posso tratá-lo em separado, suas ações e reações provocam transformações reais que afetam os demais.

Anacronismos a parte, Narciso viveria feliz hoje, todos querem espelhos, sua própria noção de beleza, de bom, de "qualidade"...

Que monotonia, acho que tô com medo....

domingo, 24 de outubro de 2010

A fuga...

Vontades....

Atos que podem ou não ser praticados em obediência a um impulso ou a motivos ditados pela razão.

Vontades são atos, mesmo quando não colocados em prática, são potencialmente atos, são o emaranhado de desejos e quereres que povoam as mentes, mesmo as senis.

Enquanto potências obscurecem o simples fato de existir, simples....

Acordar, comer, trabalhar a fim de comer, dormir, acordar... "A existência precede a Essência"

Existe, se descobre, surge no mundo e se define!

Hum, mas sabe o cheiro do café? Não é mais prazeroso que seu sabor?

Ainda assim se faz necessário a existência, o olfato, o tato, o paladar, o café...

Como é simples a existência, como é fácil, prática e objetiva....Totalmente sem graça...

Eu quero a essência!!!!!!!!!

E eu quero agora!!!!!!!